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Não sei ...se a vida é curta ou longa demais para nós, Mas sei que nada do que vivemos Tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas Cora Coralina

Meus trabalhos aqui no Japão


Meus trabalhos aqui no Japão

Aqui infelizmente não trabalho como jornalista. A chuva fina que bate na minha janela me fez lembrar do meu último trabalho aqui no Nihon. Eu já trabalhei em diversos serviços como alimentação, lavando e cortando verduras. No ramo de auto-peças foi de soldadora na solda robô. Trabalhei em microscópio manual examinando peças de cateter do coração. Polimento de peças de carro e testando lâmpadas que iriam ser colocadas em faróis de carro.
Hoje o que vem na minha memória foi quando abri uma revista brasileira e achei um anuncio um anuncio mais ou menos assim – Precisa-se de mulheres que fale e leia quase que fluente o nihongo e também escreva para trabalhar 9 horas com microscópio eletrônico examinando micro chips para televisores. Eu fui com toda coragem pois já havia trabalhado com microscópio manual. Foi loucura pois falo pouco nihongo entendo mais que falo e escrever escrevo apenas hiragana e katakana sei poucos kanjis agora um pouco mais pois estou tentando acompanhar meu filhinho que agora em abril entra para o primeiro ano.
Bom voltando a comentar do trabalho passei na entrevista pois o chefe japonês deixou bem claro aqui não tem pessoas que não sejam descendentes e você será a primeira se der certo contratarei mais pessoas. As pessoas que iriam me ensinar o serviço eram japonesas e foi difícil entender a explicação mais confiei no meu senso de observação e comecei trabalhar, eram mais de 58 defeitos que teriam que ser anotados em japonês num relatório. Tinha que examinar mais de 5000 peças durante o dia. O primeiro dia foi tranqüilo tudo era novidade e pela primeira vez estava num trabalho limpo ambiente muito bem cuidado. O segundo dia já não agüentava mais o sob e desce do microscópio e o barulho das máquinas. Ficava nervosa também em saber que depois de quinze dias de experiência teria que passar por mais três provas, oral e demonstrativa e sabia que não saberia nada que o japonês iria me explicar para depois descrever tudo o que foi dito na mini palestra em japonês, mas valia a pena agüentar. Passou duas semanas e continue enjoando muito e com dores de cabeça terríveis devido a posição e maneira de usar o microscópio. As japonesas já não me respondiam prontamente mais falavam você já perguntou isso e viravam as costas, poxa com tantos defeitos parecidos nós tinha muitas dúvidas.
Eu saia da sala corria tomar remédios porém as dores eram fortes demais. Agüentei até o fim do expediente tentando ser firme pois já tinha trabalhado em serviços que sofri demais recordações vieram na minha cabeça da época do polimento de carros quando meus olhos inflamaram de ficar o dia todo olhando para uma cor apenas procurando defeitos e tomando cuidado com a máquina para não queimar a peça,
No outro emprego cujas minhas mãos sempre sangravam na linha de produção sem falar da solda robô que realmente era serviço de homem mas foi o sobrou para mim e eu morria de medo de me queimar já tinha visto isso numa colega tailandesa. Além do trabalho puxado e sujo a limpeza dos barracões imundos de poeira no fim do expediente eram horrível de fazer além de uma vez por semana ter que lavar os banheiros de fossa totalmente fedorentos com moscas.
No ramo de alimentação que eu tinha que cortar 20 quilos de cebolas em duas horas e trabalhava 17 horas por dia. Todas essas recordações dos sofrimentos passado fazia eu chorar tanto que a chuva que caia naquele dia se misturavam com minhas lágrimas atravessei a rua no sinal vermelho quase fui atropelada . Infelizmente meu organismo me venceu pois não consegui superar as dores de cabeça, tonturas e enjôo naquele emprego.

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7 Responses So Far:

seuluiz disse...

Muitas pessoas acham que sair do Brasil e ir trabalhar fora é só alegria. Seu depoimento sincero mostra outra realidade. tem que ter força de vontade e determinação para aguentar.
Abraços

Nuccia Gaigher disse...

Meu Deus querida, qto sofrimento! Nossa, rogo a Deus lhe fortaleça para superar todas as barreiras, todos os empecilhos que acaso surja em seu caminho.
Torço por seu sucesso!
Abraços.

Rodrigo Piva disse...

Espero que consiga publicar o livro que escreveu. Essa experiência de vida é algo que vale a pena compartilhar. Parabéns pela coragem e força!!

Beijos

Walter Bitencourt disse...

Muitas pessoas , ao sair do Brasil, para trabalhar em outro país, pensa que vai fazer turismo; como voce expoem magistralmente a prática, só muita força de vontande. Parabens.
Abraços.

Natural Naturalmente disse...

Sou Brasuca, nasci e cresci em S.P., Faz 25 anos que moro em Lisboa, sou casada com um Portuga (lindo de morrer) e nos primeiros meses de estar cá na Sta Terrinha, percebi que a lingua que eu falava era tudo menos igual a daqui. Imagino bem o que voce passou.

Banco de ideias disse...

Esta postagem me entristeceu muito.
Quando o Brasil vai poder repatriar nossos irmão espalhados pelo mundo?
Quando teremos uma política séria de geração de emprego?
Rose, voce tem minha solidariedade e minhas orações.
Abraços/h.

Lúcia disse...

Linda, você é um exemplo de superação.
Dificil imaginar tanta garra em uma moça tão sensivel e culta.Eu me deleito vendo suas imagens e lendo tudo que você escreve.
Você é linda e sua familia ambém.

Olá não estamos aceitamos comentários anônimos.

2leep.com

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