Frase preferida

Não sei ...se a vida é curta ou longa demais para nós, Mas sei que nada do que vivemos Tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas Cora Coralina

Maldades internacionais







Eu estava pensando nas maldades que cometi
mas lembrei apenas das maldades que fizeram para mim. 








1-

Estou com um casal e não sei onde vou soltar eles

Quando decidimos vir para o Japão assinamos contrato para trabalhar numa fábrica de auto peças quando cheguei aqui não existia a vaga e fui encaminhada para outra cidade num trabalho muito difícil e de curta temporada. Quando terminou a empreiteira me ofereceu um serviço numa fábrica de queijo frito aqui chamada de aburague. Lá tive algumas amigas que desmaiaram devido o calor Eu não aceitei e eles me dispensaram. Deixando praticamente todas nossas coisas na rua.
Depois de alguns dias pegaram eu e meu marido e colocaram numa van e dirigiram-se por longas estradas somente com plantações. Quando o telefone toca um deles atende e alguém pergunta onde vocês estão. O rapaz responde levando um casal para algum lugar. O coração apertou olhei para meu marido desesperadamente sem saber para onde estávamos indo e que trabalho que iríamos enfrentar.
Fomos trabalhar numa fábrica para cortar e lavar verduras.


2- Trabalho de cortar e lavar verduras

O chefe enchia os sacos de lixo com material pesadíssimo


Trabalhei em uma fábrica de cortar e lavar verdura. Começava a trabalhar às 3 horas da madrugada até as 19 horas da noite. O chefe não era japonês mas gostava de perseguir todos para conseguir produção. Ele logo cismou comigo, pois encheu muito minha paciência e eu respondi que se ele não tivesse gostando do meu trabalho que me demitisse. Que não precisava ser carrasco. Ele não admitiu que eu respondesse na frente dos outros daquela maneira. E começou a perseguição. Eu e meu marido trabalhávamos juntos. Porém meu marido era dispensado e eu ficava para lavar todo o local de trabalho e principalmente jogar os lixos.
O Lixo de restos de verduras é muito pesado, pontas de pepinos que eram cortados durante todo o expediente, repolho e muitas outras verduras. E ele entrava dentro da geladeira que era um cômodo enorme e fazia limpeza parece que colocava pedra dentro dos sacos e fazia eu ir jogar. Eu levava o carrinho cheio e quando olhava ele estava lá. O depósito de lixo também era um ambiente grande. Eu colocava o lixo próximo da parede. Ele exigia que eu jogasse lá no meio aqueles sacos pesadíssimos

Um novo trabalho


3- Minha nova amiga de trabalho


Aqui no Japão eu tive  uma colega  de trabalho totalmente  desequilibrada
Ela falava fluentemente a língua japonesa e eu não. Eu já estava trabalhando num setor. Eu colava  selos em peças de carros. O trabalho era muito bom.
Quando chegou a nova colega de trabalho. E logo o chefe japonês explicou que quem explicaria o serviço seria eu e   qualquer problemas eu era responsável e as reuniões quando necessárias seria comigo.
Aqui às vezes funciona assim vc trabalha um certo tempo e o chefe japonês  confia em vc e quando chega um  novato. Quem comanda é o veterano.
A nova funcionária admitiu mas logo começou me questionar comentando que eu não falava o idioma como poderia prestar contas. Respondi que na fábrica tinha interprete
E assim foi todo final de tarde eu  acompanhada da interprete ia para o escritório montar o relatório. Ver se precisaria fazer hora extra naquele dia ou não e outros detalhes.
A nova funcionária já morava no Japão há 15 anos falava e escrevia o idioma e aquilo foi lhe irritando. Ela passou a conversar o dia todo com todos os japoneses que passava em nossa mesa  e sempre atrasava o serviço. Fazia tudo do jeito que bem queria. 
E logo vinha as ameaças se eu comunicasse  para o chefe ela entregaria muitas coisas minhas.
 Meu filhinho na época recém chegado ao Japão  ficava na casa de uma família de evangélicos que moravam numa  igreja juntamente com mais duas crianças. Ela ameaçava  entregar a  mulher pois não tinha licença para olhar a crianças.
Como minha cirurgia de esôfago era recente eu evitava levantar  pesos e chamava os colegas que trabalhava próximo para ajudar quando precisava erguer carrinhos de ferros. Ela também usou como arma, pois não contei que tinha passado por uma cirurgia. Parece que ela fez uma sindicância sobre minha vida.
Até que um dia o chefe me chamou e perguntou se eu tinha alguma coisa para falar sobre a nova colega . Eu falei que não. Ele respondeu que enviou alguém para verificar e ela fazia  muita coisa errada e eu não contava . Ela foi  dispensada e eu como castigo fui  trabalhar com  solda robô.
Nossa para mim foi loucura chorei demais, sabia que o sofrimento era muito. Muitas meninas saíram de lá com o rosto queimado. O calor era tanto. A fumaça doía a cabeça e o medo  de se queimar era enorme. E eu não tinha força para arrancar as peças da forma depois de soldadas. Aguentei  por vários dias o novo serviço e desempenhava muito bem apesar de tanto sofrimento.
Até que um dia  voltando para casa encontrei a tal companheira
Ela sorridente me prometeu um ótimo emprego, pois dizia que estava muito bem. Ela sabia o idioma acreditei que realmente estava muito bem . Fiquei cheia de ilusões. Era uma tarde de sábado fomos passear numa loja de departamentos  e depois no Mc Donald para lanchar. Na ocasião  duas empreiteiras ligou para mim oferecendo serviço e ela atendeu dispensando usando o idioma japonês para se comunicar . Alegava que meu marido não queria que eu trabalhasse. Fiquei sabendo depois quando passei nas empreiteiras e perguntaram se meu marido tinha  mudado  de idéia
 Daí chegou o dia da entrevista do tal serviço que ela havia me prometido
Ela telefonou para o chefe dela na minha frente e marcou o horário para que eu levasse uma ficha com contendo minhas experiências de trabalho
No outro dia eu toda contente esperei das 8 horas da manha até as duas da tarde e não apareceu chefe algum. Só ela ligando  de 10 em 10 minutos falando que era para mim aguentar que ele já chegaria  passava o telefone para um senhor  que falava  no idioma japonês alguma coisa e ficava aguardado.
Eu estava com muita fome e fui  até a residência da colega e  conversando com  sua  filhinha de sete anos ela me disse a mãe foi demitida e pai também  e foram para a piscina se acalmar um pouco. 


O tempo passou eu me adaptei
e aprendi a conhecer melhor as pessoas independente da nacionalidade.
O povo japonês é hospitaleiro e sensível. Basta entender as ordens e a organização

E assim vou levando minha vida aqui
observando coisas boas e aprendendo muito. 
E driblado a SOLIDÃO






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9 Responses So Far:

Principe Encantado disse...

Rose o desconhecido nos causa medo mesmo, admiro sua coragem amiga.
Abraços forte

Francisco Castro disse...

Olá!

Viver o desconhecido é ter que vencer desafios e tentar se superar no que é duvidoso.

Abraços

Francisco Castro

Cecília Avenca disse...

Você Rose é mais forte do que aparenta,jamais poderia imaginar que tivesse sofrido tantas agruras,mas isso é o que importa sofrer,chorar e dar a volta por cima.
Bjos

Jackie Freitas disse...

Oi Rose!
Poxa, amiga...a última não foi só maldade...foi inveja, despeito, desrespeito, má fé...tudo numa pessoa só! Ainda bem que essa pessoa saiu de sua vida, pois esse tipo de gente só causa transtornos.
Admiráveis a sua força e persistência.
Grande beijo!
Jackie

Shirley disse...

Rose, ter lido esse ultimo pedaco dessa pessoa que esteve com voce, nossa! Me v\fez ter vontade de ler mais depoimentos seus.Onde posso le-los?Voce escreve tipo diario dessas suas experiencias?As fotos vejo todas e me deleito!Voce me parece um doce!!!Por favor se comunique comico.Posso te dizer que sou de outro tempo,mas nao ET...Fui criada em outro pais, e demorei a voltar as minhas origens cariocas.Hoje me considero carioca!!!Issima!Mas por muitos anos meu apelido era inglesinha!Nossa,hoje eu nao gosto ,nao.Mas nao sofri.Estudei e aproveitei e casei.Me separei e assumi minha carioquisse...Gosto de conhecer outros tipos de vivencias que nao tive contato fora.

Leila Franca disse...

Oi Rose,

Acho que no exterior o impacto é muito grande. Não temos uma família por trás, mais experiente, nos orientando e confortando. Ficamos sozinhos e nas mãos de quem só quer nos usar e explorar como se fôssemos peças de uma máquina, sem a menor consideração. Ainda aparece uns traíras pra tentar nos sabotar.

Com o tempo vamos aprendendo... Acredito que contigo o pior já passou e agora o que vem pela frente serão coisas boas. Se eu estivesse no seu lugar investia mais tempo aprendendo o japonês e o inglês. Falar o idioma local é muito importante. Nos EUA há uma divisão bem clara dos empregos pra quem fala e pra quem não fala inglês. Quem não fala inglês só pega serviço que ninguém quer.

Déh Leal disse...

Nossa, Rose!

Muita maldade mesmo..a gente nunca pensa que possa ter tanta gente mal intencionada ao nosso redor... =/

Ainda bem que no fim deu tudo certo!

Beijos,
D. Leal

Luiz. disse...

Essa sua comphanheira era uma Psicopata!

edilene - amor disse...

grande mulher!

Olá não estamos aceitamos comentários anônimos.

2leep.com

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